sexta-feira, 22 de julho de 2011

CAPÍTULO 1

Cidade do Porto, norte de Portugal. - "Antiga, Mui Nobre, Sempre Leal e Invicta"
14 de novembro de 1479, uma segunda feira cinzenta e fria, com o inverno que já se avizinhava.
Às margens do Douro, a ribeira descortinava-se para o grande "Mar Oceano".
A população ainda dormia quando uma série interminável de batéis e bergatins transitava entre o porto e dois navios ancorados ao largo, abastecendo-os de provisões e homens. Um grande formigueiro de pequenos barcos a ir e vir levando provisões, pólvora, munições, soldados, água potável, alimentos e tudo o mais necessário para a empreitada de 90 dias no mar. Além do Santa Anna, abasteciam também uma caravela menor, a "Esperança" que seguiria de apoio e escolta na primeira parte da viagem, até os Açores.
Estes preparativos deveriam estar prontos até o meio-dia, para os navios poderem aproveitar a maré alta e o vento que vem do norte.
Todos que se avizinhavam do Santa Anna ficavam espantados com o tamanho e a suntuosidade do mesmo e ainda se impressionavam como o seu apetite por provisões e armas, parecia que nunca iria estar plenamente carregado. Como estava ao largo, distante da costa e do porto propriamente dito, de terra não se consegue dimensionar o tamanho do mesmo. E para manter o segredo todos os carpinteiros que participaram da construção foram enviados para bordo. E todos os homens empenhados no abastecimento também seriam colocados a bordo, assim sendo quem chegasse perto seria enviado na missão ou para o Açores, até o final da mesma.
Nunca na história das navegações portuguesas alguma expedição havia sido cercada de tanto sigilo.
Sigilo este justificado, pois nestes tempos de intensas navegações portuguesas e espanholas, cada um buscando a primazia na rota marítma para a Índia e suas especiarias, havia espiões por todos os lados e uma intensa corrida para ver quem conseguiria as melhores rotas e embarcações, pois que conquistasse o caminho para o oriente dominaria a economia do mundo.
E ainda estava circulando pelas Cortes Portuguesa e Espanhola, buscando patrocínio, o genovês Cristóvão Colombo, com sua idéia maluca de chegar ao oriente rumando para o oeste. Fato este que aumentava o cuidado pois ele poderia levar as informações direto a Coroa Espanhola.
No castelo de popa, as 11h, o Capitão Diego Coelho dos Santos observa o movimento enquanto aguarda a chegada de seu piloto Esteves Pacheco de Souza, e dos 03 frades franciscanos que iriam para zelar pelas almas dos homens a bordo. Graças à perícia do imediato e do contramestre todas as provisões já estavam colocadas nos porões, os bateis e bergatins já estavam rareando e sendo colocados para dentro do convés, logo acima da coberta dos canhões superiores.
Com a chegada do último bote trazendo os frades, uma imagem de Santa Ana e a informação de que a caravela Esperança também já estava  pronta para partir, o Capitão pode finalmente ordenar ao imediato que a ancora fosse levantada e ao piloto que levasse o Santa Anna ao Açores. Com o som dos apitos do Imediato, do Contramestre e do Guarda, a ancora foi levantada e as velas colocadas em posição, lentamente o Santa Anna começou a se mover em direção sudoeste, afastando-se de Portugal a fim de não ser visto, logo atrás seguia o Esperança.
As ordens foram claras, até o Açores, o Esperança com suas 12 bocas de fogo teria a função de manter distante do Santa Anna qualquer embarcação, de qualquer nacionalidade, mediante o uso de força se necessário.
Afinal seriam quatro dias de viagem, colocando em teste a maneabilidade, o poder de tiro e a velocidade do novo navio, que nunca havia sido testado.
Logo após os barcos ingressarem no Mar Oceano foi rezada uma missa pelos frades para que Deus abençoe todos abordo e que se tivesse um retorno tranquilo.
Após a missa, foram feitos testes de virada de bordo e mudança de curso, tendo o navio um desempenho exemplar, muito superior ao do navio escolta que não conseguiu acompanhar as manobras e viradas de bordo do Santa Anna.
Na noite da segunda feira foi servido uma dose extra de vinho aos marinheiros pelo bom desempenho nas manobras feitas à tarde, e na cabine do capitão foi servido um lauto jantar, sendo o próprio acompanhado de Esteves Pacheco de Souza, do Imediato Carlos Messias do Carmo, do Contramestre Miguel José Estevão, do Chefe da Guarda José Maria de Antunes, dos três frades, Frei João, Frei Matias e Frei Macedo, do Médico Mário César de Bragança , do Astrônomo João Antunes de Alcântara, do Comandante de Bacamartes Manuel Joaquim de Oliveira, além dos 03 Grumetes Antônio José Caminha, César Mourinho de Jesus e Manuel Gusmão. Foi um jantar agradável, aproveitando que as provisões ainda eram novas e com um clima festivo, em virtude de os objetivos do dia terem sido amplamente atingidos em nível acima do satisfatório. Todos comemoraram o fato de o Santa Anna ter demonstrado uma qualidade superior e a tripulação ter mostrado uma perfeita harmonia com o navio. Enquanto histórias e impressões eram trocadas se ouvia a cantoria dos marinheiros, demonstrando também a felicidade dos mesmos com o trabalho do dia.
Após o jantar foi dado o toque de recolher, para uma noite tranquila e silenciosa,  silêncio só quebrado pelo apito dos vigias para sinalizar que estava tudo bem, e pelos remungos dos vigias a cada troca de turno.
A terça feira amanheceu com sol, prenunciando um dia agradável para as tarefas do dia, seriam feitos os testes de velocidade a fim de se avaliar o desempenho desta nau de grande porte. O dia começou cedo com uma benção dos frades logo após o café, seguido de uma palestra do Capitão para informar a tripulação os objetivos a serem atingidos durante o dia.
Objetivo este de testar as velocidades máximas da embarcação.
Foram feitas manobras a favor do vento e com vento de través, em linha reta e em zig e zag, també simulando uma perseguição e um ataque ao Esperança. Todas as operações sendo feitas sem intervalo, para testar o navio o mais perto possivel de uma situação real de combate.
Ao final do dia os objetivos foaram alcançados ao custo de duas baixas os marinheiros Manoel Lima e José de Jesus acabaram na enfermaria com uma perna e um braço respectivamente quebrados ao serem cairem durante as trocas do velame. De resto pode se dizer que havia sido um bom dia, a velocidade espantou a todos pois atingia até 5 nós a mais que o Esperança quando com vento a favor e 2 nós com vento contrário, impossibilitanto qualquer manobra de fuga do mesmo e se tornando inalcançável ao ser perseguido. Após o teste de velocidade máxima, foi realizada uma missa em agradecimento. E distribuída uma ração extra de vinho aos homens. Que festejaram muito.
No Esperança, Joaquim Mourão de Oliveira que havia sido encarregado pelo próprio Rei Dom João II da construção do Santa Anna exultava ao ver todas as qualidades de sua obra.
No terceiro dia de viagem, o teste que Diego Coelho mais aguardava, foram lançados ao mar 10 dos bateis que haviam vindo com os navios e após se distanciar o suficiente o Santa Anna abriu fogo sobre os mesmos em quatro salvas, 02 de cada bordo. Todos os disparos atingiram o alvo mostrando que além de ágil e rápido o navio era extremamente estável, permitindo uma boa mira, e com um conjunto de 13 bocas de cada lado, de alta precisão, certamente muito mortal a quem cruzasse o seu caminho.
Ao final do dia o capitão congratulou toda a tripulação e agradeceu-os pelos excelentes resultados. Foi rezada uma missa para agradecer a providência divina pelos objetivos cumpridos e por não ocorrerem baixas neste dia.
Antes da missa o Capitão Diego mandou chamar Joaquim Mourão de Oliveira e o Capitão do Esperança, Manuel Josias de Palmas, para virem ao Santa Anna e participarem das comemorações pelos objetivos alcançados.
O jantar transcorreu de forma alegre, com todos os presentes contando suas histórias de suas aventuras passadas e comparando feitos e ferimentos de batalhas.
Após o congraçamento os tripulantes do Esperança retornaram ao seu navio e foi dado o toque de recolher no Santa Anna e no Esperança, afinal todos teriam que acordar cedo no dia seguinte.Era hora de rumar ao Açores a fim de reabastecer de água e comida fresca para rumar para a costa da África, para combate real e mostrar ao mundo o poderio Português.
Na chegada ao Arquipelago dos Açores, os mesmos cuidados se seguiriam, com o Santa Anna mantendo uma distância maior da costa e com os deslocamentos para a costa feitos pela tripulação do "Esperança".
A flotilha ancorou ao largo da ilha de São Miguel, a fim de abastecer o Santa Anna de água e Frutas frescas. Entretanto do fato de a tripulação do grande navio não desembarcar e de toda a troca de informações e contato ser feito pela tripulação do Esperança, sem que o capitão Diego Coelho dos Santos, comandante da expedição, visitasse a terra desagradou sobremaneira a elite local, isso somado a informação que posteriormente o Esperança deveria aguardar o retorno do Santa Anna ancorado na ilha do Faial e não em São Miguel, quase levou a uma crise diplomática, com a ameaça de que não seriam mais fornecidos os viveres para a frota.
A situação se acalmou com  convite ao Fidalgo José Antônio Gonçalves, primogênito do donatário da Ilha de São Miguel, para visitar o Santa Anna.
A visita foi marcada para o Domingo,  terceiro dia da estada da frota, sendo que o mesmo deveria vir só, em um bote proveniente da caravela Esperança, e com a promessa de não revelar a ninguém as suas impressões sobre a nau. Seria uma visita rápida, para o Fidalgo, que era um apaixonada por navegação, conhecer a mais nova embarcação, e também para que o comandante pudesse passar para ele a importância do sigilo desta missão.
Ficou acertado que seria uma visita de 4 horas apenas, enquanto a tripulação descarregava os mantimentos que estavam vindo de terra, e se limitaria a um encontro com o Capitão e o Imediato, regado ao bom vinho do porto. Também ouve a promessa do Fidalgo de trazer a bordo um crucifixo abençoado pelo Papa e que pertencia à sua família. Segundo a tradição familiar este crucifixo traria boa sorte a quem acompanhasse.
O tempo no segundo dia ficou bastante chuvoso e com o mar agitado, o que prejudicou consideravelmente os trabalhos de abastecimento, e as condições a bordo no navios, com alguns protestos por não poderem descer a terra. O comando da embarcação teve que agir de forma dura para reprimir a revolta da tripulação, inclusive punindo alguns tripulantes mais exaltados com o chicote, afinal a ordem deveria ser mantida e não podia deixar um motim se instalar. Ao final da tarde finalmente o tempo começou a abrir e trouxe uma noite clara e estrelada com prenúcio de um dia seguinte de sol e mar calmo.
O domingo amanheceu com céu azul e com um mar que mais parecia uma lagoa, melhorando o humor de todos a bordo da grande embarcação.
Conforme combinado próximo as 11h o Fidalgo José Antônio Gonçalves, chegou ao navio em um bote vindo  do Esperança, uma vez que os barcos de terra estavam proibidos de chegar perto do Santa Anna. O Capitão e o Imediato acompanharam o Fidalgo em uma volta pelo navio, pela proa, convés principal - onde ficavam as baterias de canhões, batéis, aves(para alimentação), cordames, velames -, pelos porões, cozinha, ponte do leme e finalmente a maior inovação, o castelo de popa - que fica abaixo da porte do leme - que consiste em uma ampla sala para servir de sala de reuniões, refeitório dos oficiais e aposentos do capitão, volta esta que deixou o Fidalgo muito impressionado com os avanços que a indústria naval havia atingido na construção desta embarcação.
Após o passeio pelas diversas áreas, o Capitão convocou todos os principais oficiais e membros do clero para o almoço com o Fidalgo. Ao final do almoço, durante os preparativos para a missa, foi avistado um pequeno barco de bandeira portuguesa vindo em direção ao Santa Anna. Imediatamente 2 bateis seguiram em sua direção a fim de interceptá-lo, nestes barcos além da tripulação seguiram 20 soldados e o chefe da guarda.
Ao mesmo tempo um terceiro barco seguiu para o Esperança, com a ordem de a caravela seguir para recolher os tripulantes do barco e averiguar como conseguiram chegar ao Açores em um barco tão pequeno.
Enquanto aguardavam o retorno das informações vindas do Esperança, foi rezada a missa tendo no altar o crucifixo da família Gonçalves. Após o que, conforme combinado, começaram os preparativos para a volta do Fidalgo à terra. Em meio a esta operação chega a informação de que os marinheiros recolhidos pelo Esperança eram na verdade náufragos de um comboio de transporte de ouro da Guiné que havia sido atacado no dia anterior por quatro navios de bandeira espanhola. Imediatamente o Capitão Coelho Santos determinou que o Esperança seguisse rumo de onde havia ocorrido o ataque e que o Santa Anna o seguisse.
O Fidalgo, sentindo o gosto pela aventura, e confiante no novo navio prontificou-se a seguir viagem, para não atrasar em nada a saída da frota.
Rapidamente escreveu uma carta aos seus pais, informando de suas intenções e assegurando um breve retorno.
Imediatamente após, a ancora do grande navio foi levantada e, com todos os tripulantes a postos, a embarcação seguiu no encalço do Esperança a fim de cumprir o destino para o qual fora criado.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Introdução

 Um dia lindo de sol com uma agradável temperatura, não muito quente, fazia pensar que a viagem para Algarve seria muito agradável. Estava tudo organizado para as tão esperadas férias, o hotel - Beira Mar na praia da Luz , a bagagem já dentro do carro, só faltava Isabel e as crianças descerem para poder dar a partida. Já estava antecipando os momentos de tranquilidade nas areias amarelas, os passeios de escuna e os jantares à noite vendo o sol se por nas águas azuis do Oceano Atlântico.
 - Isabel, anda logo. Se demorar mais perderemos o por do sol de hoje. -  Gritei..
- Calma, ainda temos tempo. - Foi a resposta que recebi
- Mas o que está acontecendo?
- Pedro não acha o eliminador de pilhas do seu Game Boy. Só mais um momento.
"Saco" , pensei. Mas sabia que se o miúdo não levasse o jogo a viagem seria uma tortura.
- Certo, mas anda logo.
Enquanto espero, vou ver se não esqueci o carregador de meu celular. Não que eu queira que venha a tocar durante o meu descanso, mas nunca se sabe. E pensando bem, onde estará o próprio?
Enquanto procurava o aparelho ia pensando " levar pra que?, não acontece nada estimulante a anos, é só papelada, pra cá e pra lá, olhando papéis que já foram vistos e revistos centenas de vezes."
O trabalho estava tornando-se cada vez mais maçante pois não aconteciam mais descobertas e quase tudo que existia sobre as navegações portuguesas já havia sido dissecado, analisado, interpretado e debatido. Este era  o principal motivo destas férias, mostrar que a minha presença não se fazia mais necessária e que poderiam pensar em me transferir para outro departamento, com novos desafios.
- Mas onde diabos foi parar esta droga de aparelho?
- O Isabel, vê se meu celular está por ai; e vamos logo. Vamos pegar tranqueira.
Nisso aparece José, trazendo meu celular, estava jogando nele enquanto aguarda a saída.
-Papai, está comigo.
E ao me entregar o aparelho, solta mais uma informação.
-Ele deu uns tremelicos estranhos enquanto eu jogava.
Fui olhar, reparei com curiosidade 4 chamadas não atendidas. Que poderia ser tão urgente?
Todos sabiam que não estava de serviço, que hoje era o primeiro dia das minha férias.
Já me preparava para ligar de volta, quando Isabel e Pedro chegaram.
-Bem Henrique a crise acabou - disse-me ela ajeitando o miúdo no banco traseiro.
-Podemos partir.
Guardei o aparelho no bolso e sentei-me ao volante, aliviado. - Se for muito importante eles vão ligar novamente.
Isabel sentou-se ao meu lado.
Sua expressão era de alívio, pois estávamos indo para um local fora da agitação da cidade do Porto e ao mesmo tempo acreditava que meu humor dos últimos meses ira melhorar ao estar afastado do Instituto, ela sabia da minha insatisfação e desânimo com a falta de novos desafios, que eu acreditava que a carreira havia chegado a uma encruzilhada, um beco sem saída na verdade. Tinha um bom salário como diretor de pesquisa e a opção que teria saindo de lá seria ser professor na Universidade, com um salário muito menor. Talvez até conseguisse a chefia de uma disciplina, mas ainda assim representaria uma grande queda de receita e de padrão de vida.
E a  nossa vida estava boa, os miúdos em bom colégio, uma casa boa, sem apertos financeiros, sobrava até para alugar um apartamento por temporada nas praias do sul. Seria difícil abdicar disso, quem sabe após as férias as coisas no Instituto não pareceriam menos penosas.
Com tudo isso na cabeça, entrei no trânsito dirigindo para o sul, em direção ao descanso para o corpo e principalmente para a cabeça.
A viagem era tranquila, sem sobressaltos e com as crianças bem calmas, curtindo um filme em DVD - santa invenção, pensei. A visão do Oceano Atlântico o antigo Mar Oceano dos  descobridores, à nossa direita ia fazendo que mesmo dirigindo me sentisse mais relaxado.
- Será que teremos tempo bom? - perguntou Isabel.
- Espero que sim, pelo menos esta é a previsão. - Respondi, completando - Vira esta boca pra lá, vai agourar a Espanha.
Rimos bastante, despreocupados - até as crianças, que diziam em coro:

- Mamãe, chama o sol e não a chuva por favor.
- Mamãe, chama o sol e não a chuva por favor.
- Mamãe, chama o sol e não a chuva por favor.

 Tudo indicava que a viagem ira ser bem calma, sem sobressaltos.
Após 2 horas avistamos um posto de abastecimento, parei para poder-mos esticar as pernas e ir ao toalete. Esta a vantagem de viajar sem pressa.  Aproveitamos para tomar um café e pegar um lanche para as crianças.
Neste momento, enquanto assitia José roubar as batatas fritas do prato de Pedro, que reclamava de seu irmão mais velho, lembrei do celular em meu bolso.
Ao tentar ligar de volta notei que neste local estava sem serviço. Bom, quando chegar no Algarve tento novamente.
Voltamos para o carro, com um astral tão bom que Isabel nem ficou chateada e inclusive engrossou nosso coro:

- Mamãe, chama o sol e não a chuva por favor.
- Mamãe, chama o sol e não a chuva por favor.
- Mamãe, chama o sol e não a chuva por favor.
- Mamãe, chama o sol e não a chuva por favor.

E assim fomos para o sul, despreocupadamente, alegres pelos prazeres que nos aguardavam.
A nossa direita se descortinava o Atlântico, com sua imensidão azul, lido e enigmático com devia ser para aqueles que contemplavam o Mar Oceano nos idos do século XV, e se perguntavam o que deveria existir quando  acabassem as sua aguas.
Era uma visão divina, o brilho dourado do sol sobre o azul do mar criava uma paisagem digna de ser admirada. Pensei em tirar uma foto na próxima parada, oxalá não esqueça. Parada esta prevista para daqui a uma hora para um rápido almoço em um restaurante que conheciamos na beira do mar.
O coro havia parado, pois as crianças acabaram dormindo devido ao balanço da viagem.
Pedi para Isabel ligar o rádio. Seria bom ouvir uma música para fazer o tempo passar.
Fomos nós embalados aos sons de nossa juventude, Lennon, Beatles, Supertramp, Santana, o radilaista estava especialmente inspirado neste horário, e ainda bem que era um daqules blocos e 1 hora sem comeciais, e só música boa o que fazia a viagem ir ficando cada vez mais agradável.
Aos poucos iam aparecendo os mastros dos barcos navegando, significando que estámos nos aproxiamando de nossa parada, O restaurante possui marina própria e vários nautas gostam de vir de barco para almoçar. É um espetáculo lindo, ir chegando próximo ao mar descendo pela estrada que vem serpenteando a costa e ver de cima o Yatch Clube com seus veleiros e lanchas ancorados emoldurados pelo azul do oceano, uma visão realmente maravilhosa.
Isabel fez menção de acordar os meninos, mas pedi para esperar um pouco para poder curtir esta vista com tranquilidade por mais uns momentos. Ela, também extasiada pela vista, concordou e tivemos mais uns momentos de paz para aproveitar a paisagem. Enfim chegamos a entrada do estacionamento e ela cuidou de acordar-los enquanto eu procurava uma vaga, preferencialmente à sombra pois o sol estava a pino e sem uma nuvem no céu.
No restaurante pedimos uma mesas no deck externo para poder almoçar aproveitando a vsita e a brisa que vem do mar. Fomos informados de um espera de aproximadamente 30 minutos, o que foi ótimo pois podemos aproveitar para passear pelo ancoradouro olhando mais de perto aqueles maravilhosos barcos, enquanto José e Pedro curtiam os brinquedos do parquinho. Ficamos caminhando de mãos dadas curtindo o momento e pensando no tempo que havia passado em nossas vidas e no que o futuro estava nos reservando. Afinal estávamos juntos a 17 anos e sempre nos demos bem sem rusgas e infidelidades, quando Pedro nasceu Isabel parou de trabalhar para poder dar atenção e ao mesmo tempo eu havia conseguido as promoções até o cargo de diretor de pesquisa histórica do Instituto de História Marítima de Portugal, o que nos deu a estabilidade para ter um bom padrão de vida. Mas no momento, e Isabel sabia disso, uma frustração está se apoderando de mim pois não existem mais desafios nem novidades é só papel velho pra cá e pra lá, nada para se pesquisar que não tenha já sido rotulado, filmado e dissecado centenas de vezes. perdi o tesão e ir trabalhar é como ir para uma prisão. Isabel ja havia sugerido de voltar a trabalhar para que eu procurasse outro emprego, mas com 2 crianças é complicado.
Ao chegarmos no pier, vimos alguns barcos no mar, com suas velas estufadas brilhando ao sol e constrastando com os azuis, do mar e do céu. Minha mente mudou dos problemas para a beleza daquela imagem e passei a pensar em como teria sido na época das grandes navegações, quando os barcos saiam sem saber se iriam voltar, sem GPS, tateando o Mar Oceano e ampliando a grandeza de Portugal. Comecei a visulizar as caravelas, as naus e os bergatins com suas tripulações de homens corajosos e audazes que iam arriscar as suas vidas para tentar a fortuna em terras distantes mesmo sabendo que a maioria nunca mais voltaria e que provavelemente o mar seria seu túmulo.
foi quando me lembrei dos insistentes chamados do Instituto, o que podeira ser tão urgente?
Ja estava procurando o celular, quando vimos o recepcionista do restaurante a nos chamar.
Ligo após o almoço, pensei.
E lá fomos os quatro para a mesa que haviam nos preparado, no deck e com a magnifica vista do ancoradouro e dos barcos à navegar.
Foi um almoço calmo, sem brigas entre as crianças. qeu se divertiram um bocado enquanto aguardávamos a mese; e estvavam além de cansadas como o apetite bem aberto.
Antônia e eu conversamos sobre temas banais para não estragar o apetite.
Após o almoço voltamos para a estrada, não sem ates uma tentativa frustrada de contato com o Instituto; afinal haviam ligado várias vezes. Mas o sinal era tão ruim que não entendi nada do que falaram. E pensando bem que eu tenho a ver com santos? Eles que falem com a Igreja.
Ingressamos na rodovia para um trecho final se sobressaltos, pelo menos assim esperava.
..
Que estará acontecendo?- pergunta-se José Paulo dos Reis.
O secretário geral do Instituto está preocupado pois não consegue  contato com seu diretor, que inclusive o mandou falar com o Bispo.
Estar frente a documentos que nunca foram mencionados  e que ninguém se arrisca a tentar decifrar, o deixa angustiado, e para piorar não há modo de contatar a única pessoa que poderia lançar uma luz sobre o assunto.
As últimas horas foram de muita agitação, todos querendo saber de que se tratavam os documentos contidos nas caixas recém descobertas. Mas a pessoa que poderia confirmar a autenticiade ou mesmo decifrar este mistério está virtualmente incomunicável.
Vai ser um dia longo....
Desde que os operários haviam descoberto aquelas 12 caixas, todo mundo quer saber o que elas contêm e quanto tempo ainda vai levar para liberar o reinício da obra.
Onze delas não ofereciam novidades nem motivo para agitação, mas a 12ª, bem esta não se tem idéia do que se trata. E a pressão para se identifcar o conteúdo e se liberar o sitio da obra é muito grande.
Uma equipe de pesquisa arqueológica já havia sido enviada, e no momento estavam escavando com pente fino o local onde as caixas foram encontradas, mas até o momento só encontaram mais pedras e entulho.
...
Viver em país antigo é dose -, pensou Manoel d'Ourinhos, diretor de patrimônio do Arquivo Nacional da Torre do Tombo, - Não tem como fazer uma reforma sem esbarrar em um sitio arqueológico. Qualquer obra demora o dobro do tempo pois vem a turma dos museus, do patrimônio histórico e ficam atrapalhando tudo. Não tem cronograma que resista.
Era para ser uma obra simples de ampliação do estacionamento, mas tinham que esbarrar em umas caixas velhas.Agora só Deus sabe quando as obras vão reiniciar. Já havai sido difícil convencer o conselho, arranjar a verba, aprovar o projeto; agora a situação está se encaminhando para a desistência da obra.
E para piorar, com esta paralização metade da área de estacionamento antiga está perdida e a oposição fará a festa pois achavam desnecessária esta obra e que iria atrapalhar o acesso ao arquivo, e seria uma obra de 90 dias no total. Já estão falando em uma interdição de 6 meses no mínimo.
Manoel pensou, - agora mesmo que esta azia vira uma úlcera.
......
Alheios a toda esta agitação a família Algarve aproxima-se de seu destino,só pensando nos dias agradáveis na beira do mar.
A visão das areias da praia, e do hotel agitou as crianças ao mesmo tempo que trouxe para Henrique e Isabel uma sensação de paz, pois haviam chegado ao destino, onde dias de paz e diversão se vislumbravam, esperavam eles.
Neste momento a única preocupação era achar o hotel, fazer o check-in e esvaziar as malas, ao mesmo tempo que se tenta convencer os meninos que podem esperar até amanhã para ir à praia.
Se bem que ainda é cedo, ainda há tempo para se fazer algum programa antes do jantar. Quem sabe visitar os famosos moinhos e aproveitar a vista que eles proporcionam, ou melhor ainda a Caravela Boa Esperança, unindo o interesse profissional de ver ao vivo uma caravela da época dos descobrimentos e ao mesmo tempo proporcionar um divertimento aos meninos.
Na votação em família a Boa Esperança ganhou disparado. E para o porto nos dirigimos, para ver o navio feito segundo as especificações do século XV, os meninos adoraram a visita, correndo por todos os cantos do navio aos grito de "eu sou o pirata da perna de pau...", e fingindo que o barco seguia pelo mar oceano, para as mais variadas aventuras.
Enquanto isso eu ficava cada vez mais maravilhado com a precisão dos detalhes de construção e com a coragem dos homes que nestes navios navegaram pelo mundo afora, expandindoPortugal e a Europa. Um verdadeiro marco da engenharia naval portuguesa. Imerso nestes pensamentos levei um susto quando o telemóvel começou a tocar, de novo do Instituto. bem agora vou descobrir o que é tão urgente.
- Onde você está - Fala José, sem ao menos dizer alô e com um tom de urgência na voz.
- Em Algarve, ora bolas, porque? - Respondi.- O que tem de tão importante?
- Aqui está o maior alvoroço, foram encontradas novas caixas com documentos dos séculos XV e XVI.
- É mesmo, como?
- Na obra do novo estacionamento  da Torre do Tombo. Mas o importante mesmo é, o que você sabe sobre Santa Anna?
- Ora era a avó de Jesus, mas isto é assunto para a Igreja...o que tem a ver comigo?
- Não sobre um navio chamado Santa Anna, no final do século XV.
- Não tenho registro, nunca apareceu.
- Então volta logo que tem uma caixa lotada de documentos sobre este navio.
- Mas porque esta urgência afinal, que de tão importante pode ter documentos sobre uma caravela de 500 anos, e que não pode esperar por 15 dias.
- Não é uma caravela comum, é quase uma nau, mas o que importa mesmo é por onde ela andou. Ninguém quer acreditar.
-Como assim?
- Não posso dar mais detalhes por telefone, mas a dica é esta Terra de Santa Cruz, antes de 1492.
-....Como assim, é impossível.
- Os documentos estão aqui a te aguardar. Quando consegues chegar?
-...Amanhã, final da manhã.
- Certo, então.
- Até amanhã, mas por favor sigilo.
- Com certeza.
Desliguei o telemovel, e comecei a pensar, como resolver esta questão, afinal teria que interromper as férias e dificilmente as crianças iriam entender.
Nisso, ao ver a minha expressão e por ter ouvido trechos da minha fala ao telefone Isabel aproximou-se e perguntou o que havia acontecido.
- Uma nova descoberta, que pode mudar a história. ...Preciso voltar, urgente.... Mas não quero acabar com a alegria dos meninos.
- E eles não podem esperar 15 dias?
- Aparentemente não, têm medo de que vaze para a imprensa antes de qualquer autenticação.
- Então temos que voltar para casa?
- E porque vocês não ficam e eu vou de trem? Você fica com o carro e os meninos e aproveitam a praia, afinal já está pago mesmo. - Deve ser algo rápido de resolver e volto em seguida. - sugeri.
- Não gostaria de passar as férias sem você, mas se achas que volta logo e para não ter que aturar a birra de dois garotos, pode ser viável.
- Obrigado amor. Temos que ir agora a té a estação de trem para ver se consigo uma passagem.
- Vou chamar os nossos piratas.
- Vou junto, afinal vamos ter que ouvir protestos.
E assim fomos chamando os Capitães Pedro da Cara de Mau e José da Perna de Pau.
Que já chegaram pedindo por mais um tempo a bordo Navio dos Piratas.
Entramos os 4 no carro e fomos direto para a estação de trem, explicando que eles ficariam com a mãe e logo eu estaria de volta, assim pelo menos eu esperava.
A confirmação de que eles ficariam até o final das férias acalmou o início de motim.
Após a visita ao guichê, só consegui passagem para o dia seguinte pela manhã, madrugada na verdade. Mas pelo menos iria chegar a Porto antes do meio dia, e teria tempo de inteirar-me sobre o que estava acontecendo durante o almoço.
Já com a passagem comprada e com a noite se aproximando resolvemos voltar ao hotel para escolher um local para o jantar. Após conversar com o "concierge" a escolha recaiu sobre o restaurante Páteo da Ria, que oferece um cardápio de pratos regionais, não sem antes um protesto de que seria melhor um lanche no McDonalds.
E fomos lá, sguindo as indicações dadas peo porteiro do hotel, e com alguma ajuda dos locais, finalmente chegamos ao restaurante, que tem uma vista maravilhosa do Atlântico, escolhemos uma mesa junto à janela para desfrutar da paisagem e acompanhar o por do sol sobre o mar.
O tema da conversa se concentrou sobre o que os meninos fariam durante as férias, passeios, praia, piscina e uma vontade imensa de voltar até o Navio dos Piratas. Isso ajudou a amenizar o clima. Ressaltei a necessidade de eles obedecerem a mãe sempre e sem reclamar.
- A gente sempre obedece- foi a resposta em coro...
Seguida por uma gargalhada de toda família.
Após o jantar e com a lua já no horizonte seguimos de volta ao hotel, onde chagamos com as crianças adormecidas, o dia tinha sido longo para eles.
Após colocar os meninos nas camas, voltei ao quarto para fazer a mala e ajustar o despertador, afinal teria que acordar muito cedo.
Quando finalmente cheguei na cama Isabel já dormia.
Demorei a pegar no sono, pois estava intrigado com o motivo de ter sido chamado com tanta urgência, e a frase de José, "Terra de Santa Cruz, antes de 1492", ficava martelando na minha cabeça, o que poderia ser?
As 5 horas toca o despertador, levanto e tomo um banho rápido.
Beijo rapidamente minha adormecida família e peço um táxi, afinal tenho que estar na Estação antes da 6h.
Ao ingressar no trem procuro uma cabine desocupada, pois pretendo continuar dormindo. Encontro uma cabine vazia e já vou fechando as cortinas e juntando os bancos para fazer uma cama.
Já estava sonhando com viagens dos descobrimentos quando o condutor veio pedir para conferir a passagem. Caio novamente em um sono profundo, embalado pelo balanço do vagão.
Levo um susto quando o telemóvel começa a tocar e me acorda.
É Isabel.-  Bomdia querido, não se despediu?
- Dei um beijinho em vocês e saí, como era muito cedo não quis acordá-los.Mas já estão acordados?
- Sim, afinal são 9h e já tomamos café e não podemos perder tempo, dizem os meninos.
- Já? Achei que era bem mais cedo.
- Acho que também vou tomar o café.
- Boa viagem, querido.
- Obrigado, beijo.
Desligo o telemóvel e me levanto, abro as cortinas. Aproveito para olhar a paisagem que se apresenta. Saio da cabine a procurar o banheiro e o vagão restaurante.
O vagão restaurante encontrava-se quase vazio quando cheguei. Pude pegar uma mesa boa no centro do mesmo e afastado de todos os presentes. Pedi o café da manhã continental e fiquei admirando a paisagem que passava em alta velocidade pela janela. Uma boa forma de passar o tempo. Afinal ainda teria uma boas 3 horas de viagem pela frente.
Aproveitei este momento para, já descansado, vasculhar a memória e tentar lembrar de algo sobre um navio quatrocentista de nome Santa Anna. Mas nada vem a mente, até onde me recordo nunca houve um navio com este nome no séc XV na marinha portuguesa.
O único navio com o nome de  Santa Anna que me vem à memória é o Santa Anna de 112 Canhões espanhol, e do século XVIII. E pelo que José havia falado não haveria ser este barco.
Terminei o café e pensei, em poucas horas saberei do que se trata. Não adianta ficar queimando os neurônios  com este assunto.
Retornei à cabine e aproveito para ligar para José.
- Está lá, José?
- Sim, Henrique. Onde tu estás?
- Estou no trem, devo chegar em Porto perto das 12h. Podes me buscar na estação?
- Sim, sem problemas.
- Certo então, dali seguiremos para o Pedro Lemos a fim de almoçar e para você poder me explicar o é tão urgente e sigiloso.
- Combinado, então. Até lá.
- Até lá.
Bom agora é só aguardar, o pior da viagem de trem é quando se esquece de trazer um livro, um jornal ou uma revista. Sem ter nada o que fazer parece que o tempo demora mais a passar, ainda mais viajando sozinho.
Ao chegar na estação logo avistei José, visivelmente ansioso. Cumprimentamo-nos e seguimos diretamente ao carro, onde José imediatamente começou a saciar minha curiosidade.
Contou rapidamente como a obra de ampliação do estacionamento do Arquivo Nacional da Torre do Tombo havia esbarrado em 12 caixas dos anos de 1495 a 1502; e em 11 delas nada havia de novo, mas ao verificarem a 12ª caixa, a única que estava, estranhamente, lacrada com o selo do Rei Dom João II. Era o conteúdo desta caixa que estava a provocar toda a agitação.
- Mas o que tem de tão estranho dentro desta caixa?- perguntei.
- O diário de bordo do Santa Anna, partes do diário de bordo da viagem de Bartolomeu Dias e um detalhado relato da costa brasileira escrito por um certo Fidalgo Manoel Joaquim Gonçalves. Além de plantas e desenhos esquemáticos de um navio que só teria similar a  partir do século XVII.
- Mesmo? E como foram parar dentro de uma caixa lacrada no final do século XV? E o que O Rei Dom Manuel II tem a ver com a descoberta da América?
Antes que José conseguisse responder chegamos ao Restaurante.
Solicitamos uma mesa na área externa e num ponto mais afastado.
Assim que sentamos já fizemos os pedidos: Leitão no sabor da tradição à nossa interpretação para mim e Vitela mirandesa com batatas para José e para acompanhar uma garrafa de vinho do Porto da Real Casa Velha.
Enquanto aguardávamos o nosso pedido José aproveitou para responder a minha pergunta.
- É justamente isso que está deixando todos alvoroçados, o que conseguimos verificar não faz o menor sentido. Por qual razão a Coroa teria escondido estas informações e qual a participação de Bartolomeu dias neste episódio. Por isto que a sua presença aqui é tão importante.
- Entendo. Mas pelo que pude apurar, nada faz sentido, pois o tal fidalgo e o navio Santa Anna deveriam estar na expedição de Bartolomeu Dias. Mas não consigo lembrar destas participações.
Neste momento José me interrompe e diz algo que quase faz eu derrubar o meu talher.
- Pelo que pudemos apurar o Fidalgo e o Santa Anna não participaram da esquadra de Bartolomeu Dias mas já estavam no Brasil há quase 10 anos.
- Como assim?
- Tu vais ter que examinar este material, este é o motivo de nada ser divulgado e de todo este sigilo.
- Mas isto pode mudar a História.
- Sim, se forem autênticos estes materiais.
Meu apetite acabou e imediatamente pedimos a conta.
O Maitre ao ver que paramos de comer no meio da refeição veio nos questionar se havia algum problema com a comida.
-Não, por sinal está ótima, sucede que surgiu um tema de vital importância que requer nossa presença em outro local. - José respondeu.
Tinha urgência em chegar ao Instituto e olhar estes documentos.
Ao entrar no carro, perguntei a José:
- Quem está sabendo do conteúdo desta caixa?
- Pouca gente, Eu, Tu, o Pedro dos Montes, o Manuel de Lima e obviamente o Primeiro Ministro, que foi quem exigui o sigilo e a pressa da investigação.
- E como o pessoal do Tombo não sabe o teor?
- É que quando tiraram as caixa, abriram as 4 primenras e observaram que se tratava de documentos relativos a Marinha, imediatamente me chamaram. Fomos eu e Pedro lá e recolhermos as caixas ainda fechadas. Ao abri-las é que Manuel percebeu que havia uma diferente.
- E o que as outras continham?
- Documentos financeiros da viagem de Vasco da Gama à Índia, Plantas de Naus, alguns relatos sobre as viagens ao oriente, mas nada tão especial como o que esta em questão tem. O material das outras 11 caixas não pode mudar a História, já o conteúdo da 12ª é bombástico.
Pelo menos a informação estava em boas mãos, afinal Pedro é o coordenador de triagem de documentos do Instituto, e Manuel o encarregado do nosso Catálogo Geral, pessoas que tem idéia do cuidado que devem ter ao manusear estes documentos e da importância do sigilo neste momento.
Ao ver o prédio do Instituto, um antigo armazém do porto datado do século XVIII e reformado por dentro sem alterar suas características externas,  minha excitação aumentou, pelo relato de José estava chegando o momento que todo pesquisador, arqueólogo, cientista e historiador mais anseia, uma descoberta que irá mexer com a história da humanidade. Se for verdade todos os livros que já foram escritos sobre as Américas perderão valor, tudo o que se sabe sobre os descobrimentos irá pelo ralo.A História da Civilização Ocidental será mudada de uma forma drástica. - Estes eram os pensamentos que cruzavam a minha cabeça enquanto saia do carro e andávamos pelo estacionamento rumo à recepção.
A passar pelas portas que dão acesso à recepção sentia-me como um garoto que ganhou seu primeiro computador ou game-boy. Parecia que meu coração iria sair pela boca. Ao mesmo tempo procurava manter uma aparência de serenidade e tranquilidade, mas por dentro era como um vulcão querendo entrar em erupção.
Passamos rapidamente por minha sala para eu largar a valise que havia trazido da praia e imediatamente fomos para a sala de triagem, onde Pedro e Manuel estavam nos aguardando.
Ao cumprimentá-los dava para sentir que estavam no mesmo nível de excitação que eu.
Afinal em cima da mesa encontrava-se uma arca de aproximadamente 1 metro de comprimento por 60 cm de profundidade e outros 60 cm de altura, ricamente entalhada e com as insignias do Rei Dom João II.
- Eis a relação que pudemos apurar, dos documentos.-Falou Pedro assim que me aproximei da mesa onde os mesmos se encontravam.


5 Plantas do Navio Santa Anna
1 desenho a pena do Navio Santa Anna
3 desenhos esquemáticos do Navio Santa Anna
3 Cartas do Rei Dom João II
1 Carta de Joaquim Mourão de Oliveira, encarregado do Estaleiro Real da Armada, da Cidade do Porto
4 Cartas de Bartolomeu Dias
1 Caderno com parte do diário de Bartolomeu Dias
3 Livros com o Diário de Bordo do Capitão do Santa Anna, um certo Diego Coelho dos Santos
2 Cadernos de anotações de um certo Fidalgo Manoel Joaquim Gonçalves
5 Cartas do Fifalgo Manoel Joaquim Gonçalves
1 Crucifixo em Madeira, Prata e Ouro
Mapas da viagem de Batolomeu Dias ao cabo da Boa Esperança.


Ao ler a relação e ver os documentos espalhados por cima da mesa de triagem, comecei a pensar que conexão poderia haver entre estes personagens históricos com um fidalgo absolutamente desconhecido.
Comecemos pelo princípio - falei- Pedro, segundo as suas observações, qual o documento mais antigo? Partiremos daí para achar o fio desta meada.
Segundo as datas das cartas e documentos os mais antigos são as cartas o Rei Dom João II e de Joaquim Mourão de Oliveira.
- Então será por elas que iremos começar, traga-as por favor.
Enquanto Pedro as ia pegar, o telefone tocou. Era a telefonista.
- Gostaria que não transferisse nenhuma ligação para nós, que estamos fazendo é importante demais para haver interrupções.
- Sim senhor, mas ele disse que é assunto de vital importância, que não pode aguardar.
- Entendo, pode passar a ligação., Mas depois desta somente do Primeiro Ministro, de mais ninguém.
-  Está lá?
- Boa tarde, quem está ao telefone?
- Dr Henrique Dias de Algarve, Diretor do Instituto, quem quer saber.
- Dr Carlos Miguel dos Montes, Diretor Geral do Museu Nacional, de Lisboa.
- E qual o motivo desta ligação, posso saber?
- Eu quero saber quando as caixas que tiramos do sítio da Torre do Tombo irão vir ao Museu, que é o local certo para elas estarem.
- Isso eu não sei pois, por se tratarem de assuntos da marinha o local onde elas serão devidamente analisadas é aqui no Instituto.
- Isto não está certo, como é material histórico o certo seria terem vindo para o Museu, a fim de serem devidamente catalogadas e expostas a visitação pública. Afinal são parte da História de Portugal.
- Sem querer esticar esta discussão, fale com o Primeiro Ministro, pois estamos trabalhando por ordem direta dele. E a propósito como estão as escavações, acharam mais algum material de interesse.
- Ainda não, mas se acharmos você certamente será o último a saber.Afinal não vou correr o risco de que se desviem mais artefatos, que por direito pertencem a esta instituição.
- Quer dizer que continuam procurando?
Sim.
- Vou mandar alguém da minha equipe, pois pode ser que encontrem mais material relativos ao trabalho que estamos fazendo.
- Só com ordem direta do Primeiro Ministro você colocará alguém em meu sítio arqueológico.
Quase explodi, dizendo que bastaria um telefonema e isto iria acontecer, mas preferi chegar a um acordo mais diplomático, onde ele teria a sensação de que havia ganho a discussão.
- Para evitar este desgaste proponho um acordo. Envio 10 das 12 caixas e você permite que eu mande o meu pessoal para acompanhar e ver se entre os achados se encontra algo relacionado ao que estamos estudando.
Após alguns momentos de silêncio do Diretor do Museu respondeu.
- Aceito, mas você só poderá mandar uma pessoa. E após o envio das caixas.
- Irá junto, acompanhando as caixas até para garantir a integridade delas durante a viagem.
- Certo, estaremos no aguardo.
- Irão hoje mesmo.
- Obrigado
- Passar bem.
Desliguei o telefone, e meu primeiro instinto era de jogá-lo na parede, de tão irritado que estava. Afinal quem este merda achava que era para vir com exigências?
Após alguns segundos e mais calmo, chamei José. 
- José, prepare 10 das outras caixas para enviar ao Museu em Lisboa.
- Porque 10 e não as 11, afinal não encontramos nada de interessante nelas? - Perguntou Pedro.
- Para mostrar que ainda  mandamos por aqui. E só enviei-as para não perder mais tempo neste assunto.
- Ah, e manda chamar Carlos Reinaldo, que vai acompanhar as caixas e ficar lá junto à escavação.
- Mas este rapaz é meio devagar, não progride nem tem iniciativa, porque não mandar alguém mais qualificado? -  Ponderou José.
- Ora pois, tiramos um peso morto, e colocamos alguém lá para dar a impressão que não temos tudo o que estamos precisando. - Falei -  E acho que ele vai curtir alguns dias olhando e acompanhando homens suados.
Caimos todos no riso imediatamente. 
Em minutos José chegou com o rapaz, e passei as instruções para o mesmo. Juntamente com uma foto do Brasão do Rei Dom João II. Caso visse alguma caixa com aquele brasão deveira imediatamente entrar em contato com o meu telemóvel.
Após estas recomendações despachamos o Carlos e as caixas para Lisboa.
E, finalmente poderíamos nos dedicar a examinar os documentos que tanto nos intrigavam.
Pedro chagou com as 4 cartas e ao observar o tipo de papel, a grafia, o estado geral e os lacres e selos nelas contidos, imediatamente dei-me conta que estava diante de documentos originais do Séc XV, sem sombra de dúvida.
Dispusemos sobre a masa de forma cronológica.
Em primeiro lugar uma carta do Rei Dom João II, de Janeiro 1479, endereçada ao Estaleiro Real da Armada ordenando a construção de um navio para proteção da Rota para as Índias, e que deveriam seguir algumas características especificas, segundo um projeto do próprio Rei.
Ao ler esta parte imediatamente José buscou as plantas e os desenhos esquemáticos do Santa Anna.
Ao examinar detalhadamente estes desenhos e especificações, fiquei estupefacto, pois o navio em questão diferia de tudo do que sabíamos desta época, estávamos diante de um verdadeiro Galeão.
Uma Nau de 30 metros de comprimento, boca de 7 metros e calado de 4 metros, com 3 mastros, 2 tipos de velame 03 velas latinas e 03 velas "redondas", 02 cestos de gávea, 2 cobertas, castelo de proa, 30 canhões, 8 falconetas e 8 bombardas, capacidade de 70 tonéis e 150 homens à bordo.
E o mais interessante ainda era a disposição das armas, 04 falconetas e 04 bombardas no castelo de proa e 04 falconetas e 04 bombardas no castelo de popa, 02 canhões no castelo de popa apontados para a ré, 02 canhões no castelo de proa apontados para a vante, e e 13 canhões de cada lado dispostos em duas fileiras, uma de 07 canhões junto ao costado e outra com 06 canhões sobre a 1ª coberta. 
Mas o que estava causando estranheza era o fato deste navio ter ficado tanto tempo sem nenhum tipo de referência. Como isso pode acontecer? E qual o motivo?
A segunda carta do Rei Dom João II também era endereçada ao Estaleiro Real da Armada, a diferença era que estava encaminhada nominalmente a Joaquim Mourão de Oliveira, e versava sobre o andamento da construção do Santa Anna, pedindo sigilo absoluto sobre o empreendimento, e também dando ordem sobre o destino dos carpinteiros que participaram desta obra.
A próxima carta era de Joaquim Mourão de Oliveira, encarregado do Estaleiro Real da Armada, da Cidade do Porto, o local onde eram fabricados os navios armados que serviam de patrulha da Marinha de Portugal.
Nesta carta ele relatava ao Rei a conclusão dos trabalhos e que o Navio já encontrava-se fundeado ao largo, abastecido conforme as demandas do Monarca e aguardando a chegada do Capitão a ser designado. Colocava-se também a disposição para ultimar os preparativos e festejos para a viagem inaugural do mesmo.
A quarta e última do lote era do Rei, endereçada a Diego Coelho dos Santos.
Nesta carta, datada de 22 de outubro de 1479, o Rei nomeava o Capitão Diego Coelho dos Santos, como comandante do Navio Santa Anna, e ao mesmo tempo lhe ordenava que imediatamente escolhesse uma tripulação de sua confiança e seguisse sem demora para a Cidade do Porto, onde Joaquim Mourão o aguardava para iniciar uma viagem de patrulha na costa da África, com apenas uma parada no Açores para abastecimento. A saída deveria se dar em não mais que 10 dias e deveria ser feita da forma mais discreta o possível, passando ao largo da costa de Lisboa.
A missão principal era testar a velocidade e capacidade de combate do navio, em uma missão de 90 dias ao largo da costa da África caçando piratas espanhóis e franceses que atacavam os navios portugueses que vinham com o ouro da Guiné.
Alertava para o caráter secreto da expedição, pois era o teste para uma nova categoria de navios que se fosse bem sucedido iria dominar os mares, e sob hipótese alguma deveria cair em nãos estrangeiras. Após as batalhas os navios inimigos deveriam ser afundados e a tripulação fuzilada, para não deixar testemunhas do Santa Anna.
Após o período de teste deveria voltar diretamente a Lisboa, onde o resultado dos testes deveriam ser informados diretamente ao Rei.
após a leitura destas cartas pedi para ver a gravura do Santa Anna, de autor desconhecido, que mostrava um navio gracioso de linhas harmoniosas, e tendo lido a descrição do mesmo, extremamente perigoso, com um poder de fogo e de manobra maior que de qualquer navio até então descrito, ou conhecido.
Seguindo a nossa ideia de seguir a cronologia dos relatos o próximo documento a ser examinado seria o Diário de Bordo do Santa Anna que, em vista do adiantado da hora e ser um livro relativamente extenso, optamos por iniciar a examiná-lo na manhã seguinte. Marcamos a chegada de todos aqui para as 7h da manhã seguinte.
Ao sair trancamos a sala e seguimos Eu e José, parando para jantar no Restaurante Portucale, antes de ele me largar em casa. Nem consegui apreciar a comida pois não parava de pensar no que ainda iriamos descobrir nos documentos e relatos que ainda não conseguimos examinar. E o que mais me intrigava era qual a participação da Rainha Maria de Aragão e Castela.
Jantamos em silêncio, cada um absorto em seus prórios pensamentos, e tentando não falar alto em público sobre o assunto que ocupava totalmente nossas mentes, afinal não desejáva-mos que alguém pudesse ouvir algo que levantasse a menor suspeita sobre o assunto.
Após o jantar, José se ofereceu para me levar em casa, como sabia que a casa dele era em direção oposta declinei o convite e pedi para chamar um carro de praça.
Estava muito cansado, afinal havia sido um dia longo, e com muitas informações. sabia que seria difícil dormir, ainda mais numa casa vazia. Neste momento me dei conta de que não havia ligado para Isabel e os meninos a tarde toda. assim que chegar em casa ligo, afinal eles também não deram sinal de vida, devem ter passado um dia corrido, aproveitando a liberdade que a praia propicía.
Ao entrar em casa, me dei conta como ela ficava estranha sem a agitação dos miúdos e sem a presença de Isabel, ficava muito silenciosa e parecia fria. Nem me preocupei em aqcender as luzes da sala, dirigindo-me diretamente ao quarto, lá chegando larguei a sacola no chão tirei a roupa, e assim memso sem nem me dar o trabalho de colocar o pijama entrei em baixo das cobertas. Peguei o telefone e liguei para Isabel, que atendeu após alguns toques, com voz de sono.
- Boa noite amor, como foi a viagem?
- Tranquila, desculpe não ligar antes.
- Não tem problema, mas que horas são?
- Onze e quarenta e cinco,- falei após consultar o relógio - Nossa, nem havia notado o adiantado da hora.
- Pelo jeito o trabalho foi interessante, para ficares até tão tarde.
- Interessante e intrigante demais, nem vimos o tempo passar. E amanhã tem mais.
- Os meninos queriam falar contigo para contar tudo que fizeram na praia, mas não deixei, pois se não havias ligado entendi que não gostarias de ser interrompido.
- Uma ligação de vocês não atrapalha em nada, nunca.
- Certo então amanhã os garotos ligam para falar contigo.
- Certo, obrigado, e boa noite, o dia vai começar cedo amanhã. Beijo e te amo.
- Também te amo, bons sonhos.
Desligamos e apagei a luz, em poucos minutos cai em um sono agitado, com sonhos de batalhas navais entre Portugal e Espanha, de tramas secretas.
As 6h acordei de susto com o toque do despertador. Sai da cama para um banho e um cafá da manhã rápidos; após o que peguei o carro de Isabel e dirigi-me ao Instituto, lá chegando cinco minutos antes das 7 horas, José e Pedro, que moravam mais próximos já estavam a me aguardar. Manoel chegou em seguida.
Com os quatro reunidos dirigimo-nos para a sala de triagem. Ansiosos para saber o que o Capitão do Santa Anna teria a dizer.
Após reiterar para a telefonista que não deveríamos ser interrompidos por motivo algum, ajustar a iluminação e a humidade da sala, Pedro buscou o primeiro dos 3 Livros com o Diário de Bordo do Capitão do Santa Anna, um certo Diego Coelho dos Santos, na verdade um caderno grande, medindo 50cm de altura por 30 cm de largura, com umas 300 páginas, ricamente encadernado em couro com o Brazão de Armas do Rei Dom João II incrustado na capa e logo abaixo um baixo-relexo em ouro com os dizeres SANTA ANNA.
Ao abri-lo, logo na segunda página estava uma relação da tripulação do navio

Capitão - Diego Coelho dos Santos
Imediato - Carlos Messias do Carmo
Piloto - Esteves Pacheco de Souza
Chefe da Guarda - José Maria de Antunes
Astrônomo - João Antunes de Alcântara
Contramestre - Miguel José Estevão
Comandante de Bacamartes - Manuel Joaquim de Oliveira
Frades
Grumetes
Taifeiros
Cozinheiro
Carpinteiros
Calafates
Tanoeiros
Médico
Bombardeiros
Marinheiros
Soldados
Besteiros
Totalizando 170 homens, sendo 50 marinheiros e 90 soldados, sendo o resto o apoio para o sucesso da empreitada.

Um verdadeiro navio de guerra.
Ao lado de 161 dos nomes uma cruz com datas de 1479 até 1488.
Outros 9 estavam marcados como desertores.
Na 10ª página encontrava-se o início do relato do capitão, que começava assim:
Cidade do Porto, Portugal
Aos 15 dias do mês de novembro do ano de nosso senhor de 1479
e por ordem e graça de sua Majestade Dom João II Rei de Portugal.
Inicio o relato das viagens do navio Santa Anna.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Prólogo

Todos nós conhecemos a história oficial, de como Cristóvão Colombo descobriu a América e Pedro Alvares Cabral  o Brasil.
Mas a história é cheia de erros e furos, pois Colombo acreditava que havia chegado na India (um erro aceitável, uma vez que nem sabia da existência da China) e nem estava a meio caminho de lá como teria que passar por cima da América Central para poder alcançar a Ásia.
E no descobrimento do Brasil então o furo é mais embaixo, ou alguém acredita que Bartolomeu Dias, o nauta que havia contornado pela primeira vez o Cabo da Boa Esperança e acompanhado Vasco da Gama na descoberta da rota para a Índia, ia subitamente esquecer o caminho e ir para o lado errado?
Tá certo que era a época em que os navegantes iam meio que tateando os mares nunca dantes navegados, estavam descobrindo o que existia mais além no Mar Oceano e as referências que iriam utilizar quanto mais ao Sul e ao Oeste fossem. Mas mesmo assim Bartolomeu Dias já havia feito a rota para passar pelo Cabo das Tormentas duas vezes.
E para complicar a pesquisa sobre esta época é muito difícil, pois são raros os documentos que ainda existem sobre as primeiras navegações, vários desapareceram por questões políticas da época, grande parte do que sobrou foi destruido no Terramoto de 1755 e nos incêndios que se seguiram, posteriormente ainda ouve a invasão de Napoleão em 1808 que forçou a Coroa Portuguesa, que foi para o Brasil, a transferir os arquivos da Torre do Tombo, onde mais documentos, mapas, éditos e livros foram perdidos.
Por isso a surpresa dos curadores do Arquivo Nacional da Torre do Tombo, ao se deparar com caixas do século XV, encontradas a  2 metros de profundidade durante a escavação para um novo estacinamento subterrâneo.
Caixas em perfeito estado com o Brasão de Sua Majestade Real Dom Manuel I, mas o mais interessante é o que está dentro de uma das caixas, lacrada e com a Insignia da Rainha Maria de Aragão e Castela, esposa do rei Dom Manuel I, são documentos, mapas e plantas de de um navio que nunca havia sido citado - o Santa Anna.
É ai que entra na nossa história Henrique Dias de Algarve, diretor de pesquisa do famoso Instituto de História Marítima de Portugal, com sede na Cidade do Porto.